67/365 – Elis

2017-02-19

Acho importante falar que vi ‘Elis’ do ponto de vista de alguém que não a conhecia além das músicas e do que a televisão basicamente me mostrou. Mas eu sempre tive aquela sensação de que Elis era grande, a maior voz da mpb, cultivei isso uma vida inteira e fiquei esperando grandiosidade no filme. E pelo filme não captei a grandiosidade de Elis. Acho que porque as cinebiografias que eu vi até então mostram artistas seguindo um roteiro de nascimento, ascensão e queda e só.

Teve algumas cenas, no entanto, que eu gostei bastante, como a que ela canta Fascinação, por exemplo e a cena dessa entrevista:”- Como é gravar um disco hoje, Elis?
– Ah, hoje tá mais difícil porque a prepotência ganhou outros nomes. Ganhou nome de marketing, ganhou nome de merchandising. As gravadoras só querem saber do ‘S’ cortado, quer o cifrão. Eles pensam que o negócio é o disco, mas um disco sem um artista é uma bolacha preta com um furo no meio. A questão é que “eles” odeiam artista. A gente nao tem mais a liberdade que a gente tinha antes. ‘Cê sabe o que é que eles fazem? Eles vêm com um monte de pesquisas dizendo o que as pessoas querem ouvir, aí a massificação é tamanha que de tanto que eles põe pra tocar, fazem a gente se acostumar com a porcaria até achar bom”.

Seguido de um “puta que pariu” soltado pelo Henfil e por mim aqui sentada.
Me incomodou um tanto que eles tenham colocado a trajetória dela como alguém no começo da carreira se deixou seguir pelos conselhos dos outros (o de cortar o cabelo, o de inserir a guitarra nas músicas, exemplos) e quando mostram a liberdade e cansaço dela, a mostram sozinha como César (Caco Ciocler) diz que ninguém a persegue, que é paranoia dela, etc. Não sei se as coisas aconteceram assim, de fato, mas prefiro entender o lado dela além da pessoa paranoica demais que me deram a entender que ela era a um certo ponto. Ela foi mais que isso, tenho certeza.
Outro incômodo é após uma sequência linda de choro pós morte de Elis, há uma quebra dos créditos com uma música risonha e agitada. Não sei, ainda não tava pronta pra sair da cena de luto.

Mas devo dizer, Andréia Horta me convenceu muito. Muito. Principalmente nos sorrisos idênticos. E fez um trabalho lindo, pena que todo o resto achei incompleto.

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