22/365 – Passengers

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[esse texto contém SPOILERS]

Quando o roteiro/direção do filme coloca a pessoa que faz merda como narrador, ele te convida a entender à qualquer custo a visão dele e até te transfere a responsabilidade de decisão: você não faria o mesmo que Jim?
Isso me lembra como no livro Lolita você acompanha um pedófilo como narrador e em alguns momentos você é levado a se condoer com a história dele. Esse filme não é sobre pedofilia, mas não foge de buscar fazer a pessoa que assiste ser simpático ao narrador.
O diretor se justificou assim:

“Porque eu também entendo ele naquele momento. Aquele momento, tão perdido. Eu acho que a solidão e o isolamento, como isso ia afetar você, e como você estaria disposto a fazer coisas questionáveis quando você está perdido o suficiente. Eu acho que isso é, na verdade, honesto. Eu acho que ele fez algo muito honesto que eu acho que muitas pessoas teriam feito se ele tivesse a oportunidade de fazer”

Mas aí o que ele chama de honestidade eu chamo de egoísmo. Ele foi atrás da moça gostosa. Ele, com conhecimentos em engenharia, que por mais que tenha feito tentativas e não tivesse acesso à equipe da nave, não foi buscar outra pessoa que tivesse conhecimentos como ele que pudesse ajudá-lo a voltar a dormir. Não, ele foi buscar uma… escritora? Coincidentemente, gostosa, rs.
“Ah, mas ele se encantou por ela”, disseram.
Ah vá. Isso passa longe de ser um motivo.
Isso já nos foi vendido antes com uma outra Aurora (vulgo Bela Adormecida) onde o príncipe se acha no direito de encontrá-la dormindo e acordá-la com um beijo não consentido. Sabemos que não podemos invadir a liberdade da outra pessoa sem consentimento e é aí que mora o que é chamado de “cultura do estupro”.
É mais uma vez um homem se colocando como prioridade e as escolhas da mulher sendo colocadas em segundo plano. Típico do gênero que nos vendem como romance. Lembrando que ela não saiu de casa, se despediu de todos que amava pra encontrar “”””amor”””” no caminho, não. Foi por realização profissional e isso foi roubado dela.

Vale citar ainda que em 1 ano ele deixou cabelo e barba crescer desgrenhadamente. Ela, claro que não, ela é mulher, por favor. Sempre arrumada, maquiada e bela, que é a função dela, rs.

Honestidade, como defende o diretor, seria se, no mínimo, ele tivesse falado a ela desde o começo. A cara de cachorro pidão não me leva em nenhum momento a vê-lo como arrependido pelo que fez.

“Ah, mas ela se apaixonou depois”.

“uma mulher tendo que conviver com um homem até aceitar que não tem outro jeito. Aí passa a amá-lo. Talvez eu seja ingênuo, mas é padrão em filme de romance esse tipo de coisa, não acho que ninguém perceba que isso está mais pra síndrome de Estocolmo que amor.”

E por fim, vem o roteiro numa tentativa safada de tentar redimir o Jim, colocá-lo como o heroi ao se sacrificar pra salvar a nave e dar a escolha a ela – só agora – de voltar a dormir, coisa que ela nega (para suspiro das mocinhas e mocinhos) porque ela prefere passar o resto da vida com o homem que lhe tirou a vida que ela escolheu.

Mais um romance idiota, mas agora no espaço. Hollyweed não se cansa.

★★ (uma pela JLaw, outra pelos efeitos).

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