À janela tá bom pra mim

Eu costumo ter reflexões tardias da vida. Ou penso ter. É meio comum as pessoas à minha volta já saberem de coisas que deveriam ser muito claras na vida adulta – dessas coisas que a gente já deveria nascer sabendo – e eu só venho descobrir anos depois. Quando tem reuniões de adultos, e as conversas vão por caminhos óbvios como trabalho, família, sexo e as pessoas falam dessas coisas todas de forma tão natural que você se pergunta mesmo: já nasceram sabendo?

Porque não eu.Não mesmo. Ou vai ver todo mundo finge muito melhor que eu.

Com a faculdade concluída, as pessoas falam em pós, em arrumar empregos melhores, em construir família e eu aqui jogando Pokemon Go.

Em grupos, as pessoas falam em sexo, sair com muitas pessoas, namorar, sexo, pegar o mundo, sexo, sexo, sexo. E eu aqui, jogando Pokemon Go.

No trabalho e em casa, planos pro futuro, como estaremos daqui a X anos, sobre a mudança climática/política/geográfica/etc e eu aqui: jogando Pokemon Go.

Vai ver seja só um desinteresse na vida. Um estar confortável com meu banco de passageiro, satisfeita por sentar à janela. Um desinteresse de vida inteira. Eu que não sei nada fui me deixando levar por cada onda que passou. Faculdade não era a que eu queria, mas tem essa pra hoje *se joga*. Trabalho? Não é o dos sonhos, mas *se joga*. E se alguém perguntar o que quero da vida é só ficar aqui, sentada, no meu banco de passageiro, satisfeita por sentar à janela.

 

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