Deixe que brilhem, que pensem, que falem…

Eu estava na sala de cinema assistindo O Hobbit: A batalha dos cinco exércitos e em uma determinada cena bem irreal envolvendo Legolas lutando, a pessoa do meu lado falou “que mentira da porra”. Porque é claro, hobbits, elfos, dragões e etc, existem, certo?

Fiquei pensando sobre o que seria considerado necessariamente uma mentira aceitável e avaliando como as pessoas costumam repetir essa frase em ficções onde, claramente, é tudo irreal e como se prendem a um determinado modelo de mito que parece ser crime se for modificado, como os vampiros da Stephenie Meyer.

A mim parece ser muito lógico vampiros brilharem, como diamantes, como gelo, coisas que são comparadas à natureza vampiresca – modificação de um ser mitológico que incomodou muita gente e que eu não entendo realmente o porquê. (ser uma ‘fadinha’ é ruim? É ofensivo macho ser delicado, então?)

Re-assistindo a saga, percebo o porquê de muitos fatores terem me prendido desde 2008, quando li o primeiro livro e vi o primeiro filme. Ao contrário do comentário geral, acho a Bella interessantíssima, identifico-me muitíssimo, pelo fato de fugir à regra de querer se encaixar socialmente. Uma fala acertada no fim do terceiro filme é que, ela nunca se encaixou, ela nunca se sentiu ‘normal’, e ela não se obrigou a se encaixar, como costumam fazer os adolescentes.

A primeira vez que vi/li Crepúsculo, me incomodou o fato de ela ser incrivelmente entregue ao Edward, mas é interessante ver que, apesar de sim, ela ser (e ele à ela, aliás), ela ainda mantém muitas decisões dela, mantém o pé firme, se mantém sendo ela. Como, mais uma vez citando o fim do terceiro filme, ela escolheu entre quem deveria ser e quem ela era de fato.

Outras coisas que me prendem na saga, é o protagonismo feminino; é a escolha difícil de ser quem se é; são as histórias de luta feminina (Alice, Rosalie, Esme, de outras vampiras que aparecem, e claro, da própria Bella), é a decência masculina de não recair no esteriótipo “macho”, é a apresentação ao público adolescente da escolha livre de amor e saber que não é obrigatório amar uma pessoa só por vez, é a alternância (mesmo que um tanto pobre em alguns momentos, tanto no livro, como no filme) do esteriótipo de personagens mitológicos tradicionais. E etc.

Por muito tempo achei a saga rasa, e de fato, ela não é profunda como poderia ser, mas não é tão leviana assim quanto sugerem, ela entretém e cumpre o que promete ao público que ela é dirigida – ou não, não sou mais adolescente, mas foi particularmente um prazer rever.
Lamento por terem tirado a direção das mãos da Catherine depois do primeiro. Acho que seria mais benéfico pra uma saga de protagonismo feminino ter uma mulher na direção, mas paciência, it’s is yet a men’s world full of haters.

De fundo musical:

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