Resenha: As virgens suicidas (filme e livro)

Em meio à folga no trabalho, paradas em meio ao trânsito e idas à casa da vó, finalmente terminei As Virgens Suicidas. Apesar de atrasadíssima com a minha meta de livros desse ano, sendo esse o primeiro não-acadêmico que li, penso que comecei bem.

Já tinha visto o filme e já tinha uma ideia do que acontecia e o livro desde o início deixa a entender aonde vai chegar – desde o título, na verdade.

Como em seguida, eu reassisti o filme, vou tentar falar dos dois juntos.

A história, basicamente, fala de um bairro de clássia media no Michigan na década de 70, focando a família Lisbon. Mãe, pai e cinco filhas. O drama se inicia na tentativa de suicídio da filha mais nova, a Cecília, que desperta a atenção para as meninas Lisbon. Especialmente de quatro garotos, vizinhos das garotas, que começam a colecionar e coletar itens da vida das meninas, a fim de descobrir mais sobre como elas são e os motivos de todas terem se matado no fim (poderia ser um spoiler, caso não ficasse claro desde o início de que isso aconteceria de qualquer forma).

Pra começar, o filme é uma adaptação incrivelmente fiel ao livro. Houve umas mexidas no roteiro em comparação ao livro, coisas que só apareciam no final, apareceram no início e tal, dando um sentido mais lógico que no livro, se for avaliar no aspecto visual e na progressão da história, porque o livro é minuciosamente detalhado, e por vezes um tanto cansativo e disperso.

Jeffrey Eugenides tem um talento enorme pra narração. As coisas são narradas de uma forma tão delicada e minuciosa por ele, que você é capaz de enxergar bem o que ele tá escrevendo e ver aquela rua, aquelas casas, aquelas famílias, aquelas efemérides… e Sofia Coppola captou muito bem esse universo e essa delicadeza.  Foi um casamento bem saudável entre texto e imagem.

É um tema dramático e naturalmente há uma melancolia no ar, que é narrada incrivelmente bem pelor autor. Um trecho interessante, e que já tinha me atentado ao mesmo discurso feito por uma participante do ANTM não-natural dos EUA, foi esse:

Nós, gregos, somos um povo de humor instável. O suícidio faz sentido para nós. Instalar luzes natalinas depois que a própria fuilha se matou – isso não faz sentido algum. O que minha yia yia nunca conseguiu entender sobre os Estados Unidos é por que as pessoas passam o tempo inteiro fingindo que estão felizes.

Quanto à tal falada e polêmica virgindade das meninas, muito se falou sobre a virgindade de espírito das meninas e não necessariamente do corpo (no caso da Lux), creio que o nome do livro/filme se deve à uma música citada no livro:

“Virgin Suicide
What was that she cried?
No use in stayin’
On this holocaust ride
She gave me her cherry
She’s my virgin suicide”

(Virgin Suicide – Cruel Crux)

No filme ficou bem amenizado a relação voraz de parceiros que a Lux tinha, apesar da pouca idade. No livro, é colocado de forma bem preocupante o fato de uma garota de 14 anos ter uma vida tão sexualmente ativa – com uma pitada de machismo, mal da época e proteção, já que o mesmo não foi questionado de nenhum dos meninos, como o Trip Fontaine.

O que achei um pouco desnecessário no filme foram os leves efeitos que apareciam, como a cena que mostra o nome de Trip na calcinha da Lux. Já tinha sido falado e subentendido, imagino. Acho que perdeu a sutileza que o filme sugeria e deixou o visual um pouco mais pobre.

Algumas queixas que vi, mais em relação ao filme, foi o fato de ter uma ótima proposta nas mãos e ainda assim ser um tanto superficial. Mas, levando em conta que a história foi feita do ponto de vista dos meninos que juntavam informações sobre aquelas meninas. Imagino que a privação deles ao mundo completo delas, sendo a maior parte imaginada (e as cenas das viagens imaginárias e a escapada do final mostram bem isso) foi o fator decisivo pra eles a terem amado tanto, no fim das contas.

Uma das coisas que muitos elogiaram muito, foram as músicas citadas tanto no filme quanto no livro, que foram incluídas de forma genial numa conversa entre as meninas e os meninos numa conversa “musicada”.

Tanto o livro quanto o filme tem seus altos e baixos, parte super envolventes e outras extremamente tediosas, ainda assim, achei um ótimo filme e um ótimo livro, que findaram exatamente como deveriam.

 

 

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