Obrigada, Spike.

[CONTÉM SPOILERS]

Meu gênero favorito no cinema é drama.

Gosto de Ficção , Terror, Musical e até Aventura. Mas se tiver que escolher um gênero só,nem pestanejo: drama! Porque eu gosto do parado, do delicado, do sentir unido ao ver. Gosto de chorar, no fim das contas. Caindo no clichê do “lava a alma”. Enfim.

Quando vi o trailer de Her, entre uma lista de diversos lançamentos para esse ano e indicados ao Oscar, foi uma conexão imediata. Um filme em que uma pessoa vivendo num futuro próximo se apaixona por um sistema operacional com a voz da Scarlett Johansson, como poderia dar errado? E com a direção do Spike Jonze? Wow! Mal dava pra esperar!

Sobre o Jonze, Onde vivem os monstros já mostrava uma fotografia tão, mas tão linda, que chorei só pela beleza. Me diverti de verdade com Quero ser John Malkovitch. Mas foi no curta I’m here que ele me capturou. Desde aí, ele já abordava um futuro, uma entrega, um amor.

Com a fotografia linda de Onde vivem os monstros, a leveza no humor de Quero ser John Malkovitch, a extrema delicadeza de I’m here,  e a trilha sonora bem escolhida desde sempre, Her é muito mais do que o trailer promete:

É lindo e triste. É o nosso dia-a-dia vivido por Theodore. Toda a tecnologia trazida para o filme, por mais que diga que é do futuro, é tão palpável que você esquece que é uma ficção. Por mais que não tenhamos (ainda) aquele jogo ou aquele computador, a solidão lotada de gente em volta é o retrato do que já se passa hoje. Há uma cena em que Theodore caminha conversando com Samantha, o OS – sistema operacional proposto pelo filme, que tem emoção e evolui com a emoção do outro, pois é o primeiro sistema com inteligência artificial-, e em volta todos também estão conversando com seus OS, e é uma cena tão comum que assusta.

Não temos um OS ainda, mas temos Facebook, Instagram, Whatsapp, Telegram, Viber, Foursquare (…) e tantas outras redes sociais que nos deixam tão vidrado a uma pequena tela luminosa que, apesar da hiper conexão com “amigos”, a sensação de solidão é maior que nunca.  (E contra tudo isso já existe um movimento: Stop Phubbing ).

E com essa conexão em rede, vamos esquecendo daqueles pequenos prazeres que só o presencial pode dar. O que no início do filme já fica claro isso. Theodore trabalha escrevendo cartas por outras pessoas, palavras dele pra simular sentimentos de outros  (e já começam os arrepios desde aí). Que também não é distante, é o mesmo que ‘googlar’ por palavras bonitas pra desejar um simples “Feliz aniversário” a alguma pessoa querida. Mesmo que mais exclusivo, ainda assim, não são as -suas- palavras pra expressar os -seus- sentimentos. Um tanto impessoal, não?

O filme traz também uma ótima reflexão sobre relacionamentos: sobre “ter” alguém, sobre liberdade de se relacionar, sobre ciúmes, sobre ser do outro, sobre exclusividade de relacionamento, sobre monogamia e sobre poliamor. Lindamente abordadas nesse documentário: http://www.updateordie.com/2014/02/24/documentario-reacoes-assistir/

Elenco maravilhoso, atuações maravilhosas e os itens sempre presentes como “Spike Jonze de qualidade”: fotografia, delicadeza, reflexão e trilha sonora maravilhosas.

E há tempos não tinha uma intuição sobre o filme e ficava tão encantada por ele. Me fez enxergar muitas coisas de formas bem diferentes. Obrigada mesmo, Jonze.

Pra entrar no clima do filme: 

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